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Castanoble — Maestros del jamón

Pontos brancos no presunto: o que são os cristais de tirosina

Equipa Castanoble · 5 min de leitura

Publicado em 10 de junho de 2015 · Atualizado em 29 de outubro de 2026

Corte de um presunto curado com pequenos cristais brancos de tirosina espalhados pelo magro, entre as estrias de gordura.

Ao cortar um presunto curado aparecem às vezes, dentro da carne, uns pontinhos brancos, duros e de aspeto parecido com o gesso, espalhados aqui e ali. Não são sal, nem bolor, nem nenhum corpo estranho: são cristais de tirosina, um aminoácido da própria carne. Comem-se sem qualquer problema e, consoante o seu aspeto, dizem bastante sobre a cura da peça.

O que é a tirosina e porque cristaliza

Depois da água, a carne é sobretudo proteína, e as proteínas são cadeias longas feitas de elos mais pequenos: os aminoácidos. Durante a cura, as enzimas da própria carne quebram essas cadeias pouco a pouco. Assim se formam fragmentos mais curtos, que tornam a carne mais tenra, e aminoácidos livres, que dão boa parte do aroma e do sabor de um presunto curado.

A tirosina é um desses aminoácidos, com uma particularidade: dissolve-se muito mal em água. À medida que o presunto seca, deixa de poder continuar dissolvida e precipita sob a forma de pequenos cristais. As análises de laboratório confirmaram-no há décadas: num estudo do Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos, do CSIC, as pintas brancas dos presuntos analisados revelaram ser cristais de tirosina.

O que diz o tamanho

Esse mesmo estudo (Silla, Innerarity e Flores, 1985) comparou presuntos com e sem pontinhos brancos e encontrou dois tipos de cristais. Os grandes, de 3 a 5 milímetros, poucos e distribuídos de forma irregular, apareciam nos presuntos menos salgados e de cura lenta, em que as enzimas trabalham durante mais tempo. Os pequenos, de meio milímetro a 2, muitos e espalhados por toda a carne, apareciam em presuntos muito salgados e, pelo aspeto, de secagem rápida. Na prova, os provadores distinguiram uns dos outros e preferiram os presuntos com cristais grandes.

A conclusão dos investigadores é a que convém recordar: a simples presença de cristais não basta para falar de qualidade. O que conta é como são.

Poucos e grandes: a marca de uma cura lenta. Muitos e diminutos: muito sal e pressa.

O que diz a norma dos cortadores profissionais

O curso oficial de especialização em corte e prova de presunto e paleta curados (Real Decreto espanhol 84/2026) diz o mesmo. Ao avaliar o aspeto de uma fatia, considera próprio de um bom magro um marmoreado uniforme e «algumas pintas brancas», e entre os defeitos que o profissional tem de saber detetar cita as «pintas brancas em excesso». A mesma norma trata como defeitos distintos as cristalizações de sal e o véu branco: não são o mesmo que os cristais de tirosina.

Como distingui-los de outras coisas brancas

  • Cristais de tirosina: dentro da carne, na superfície de corte. Pontos brancos, duros e fixos, que estalam um pouco ao mastigar.
  • Bolor: por fora, sobre a pele. É natural durante a cura e retira-se ao limpar a peça antes de a começar.
  • Cristais de sal: na superfície da peça ou dentro da embalagem, com sabor claramente salgado. A norma dos cortadores considera-os um defeito.
  • Se vir um pó fino que se mexe na superfície, não é tirosina: consulte a sua loja antes de continuar.

É preciso retirá-los antes de comer?

Não. Comem-se com a fatia, sem qualquer problema: no máximo, notará um toque crocante. Retirá-los um a um, além de desnecessário, seria uma tarefa ingrata, porque estão dentro da carne. Se uma fatia concentrar muitos, misture-a no prato com outras.

Perguntas frequentes sobre os pontos brancos do presunto

Podem comer-se?

Sim. São um aminoácido da própria carne, não um aditivo nem um corpo estranho.

São sal?

Não. A análise de laboratório demonstrou que são tirosina. O sal, quando cristaliza, fá-lo sobretudo na superfície e tem um sabor claramente salgado.

Um presunto sem pontos brancos é pior?

Não necessariamente. Nem todos os presuntos os desenvolvem de forma visível, e a sua simples presença não prova nada. O importante é o conjunto: o aroma, a textura, o sabor e a confiança em quem o curou.

Aparecem também na paleta?

Sim, em qualquer peça curada durante o tempo suficiente, porque o processo de fundo é o mesmo: proteínas que se vão quebrando durante a cura.

Fontes: M. H. Silla, A. Innerarity e J. Flores, «Características de jamones con cristales de tirosina», Revista de Agroquímica y Tecnología de Alimentos, Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos (CSIC), 1985. Real Decreto espanhol 84/2026, de 11 de fevereiro, curso de especialização em Mestria de corte e prova de presunto e paleta curados (BOE de 12 de fevereiro de 2026), módulo de prova.

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